quarta-feira, 27 de outubro de 2010

dois

Ninguém sabe não, mas dentro desse meu peito mora você. Você, que jamais recebeu qualquer palavra escrita por mim e de quem tenho saudade - mesmo que as palavras ditas tenham sido poucas e frias.
Um beijo com todo amor, amado. Sempre lhe amando.

Segredo

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O que for, é



Se descobriram no exato momento em que seus olhos se encontraram. E era amor, disto tinham certeza. Sem razão qualquer, era amor. E seria para sempre. Palavras não eram necessárias, porque naquele momento de respiração curta e cabelos ao vento, seus olhos gritavam sutilmente: eu amo você.

(Imagem do lindo filme O fabuloso destino de Amélie Poulain)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Flores para você

Não há quem entenda. Mentir tornou-se fácil e prático. Útil também. Não existe mais o medo de magoar o outro, porque só o que importa hoje é você mesmo. E que se dane aquele que lutou com e por você, que amou você de todas as formas possíveis e impossíveis, que se deitou na lama só pra você passar por cima e não se sujar, que chorou toda e cada lágrima para que você não sofresse, que lhe fez doação dos sorrisos só porque ama ver você sorrir, que apanhou por você, que esqueceu todas as dores próprias só para lhe ajudar a resolver os problemas - mesmo que pequenos. Tanto faz, porque se fez isso, então foi escolha dessa pessoa, você não a pediu nada não é?! Afinal, toda dor e lágrima que saía de você não era um pedido de "por favor, me tira desse abismo". Amar não é mais importante. Machucar o próximo, é. Isso lhe dá prazer e você ama como rastejam aos seus pés.
Se há alguém do seu lado sangrando, você o manda ir a merda. Até porque, não foi você quem o feriu. Só importa à você qualquer atitude do outro, se essa for de adoração a sua pessoa, se tal ser vive por você - e morre também, aos poucos.
Hipocrisia, falsidade, mentiras, banalização, idiotisse: são essas palavras, as características do nosso mundo, dessa sociedade que inferniza a vida do outro e se acha no direito de rir da cara dele quando o mesmo implora para parar.
Pensar em si não é pecado ou qualquer coisa capaz de lhe mandar ao inferno - que, no fundo, significa continuar neste mundo pobre e podre -, mas pensar APENAS em si, é. E não devemos mudar isso com medo do preço a ser pago, mas sim por ter certeza de que sofrimento nenhum é bem vindo e não se deve desejar qualquer tipo deste ao outro, mesmo este outro seja cheio de defeitos e erros. Você também é!
Então faça o favor de parar de pisar, chicotear, maltratar - com palavras ou braços - o próximo. Ame, ame muito. O amor é o único que pode nos salvar de todo mal. E amar não é piegas ou chato. Amar é tudo o que faz esse mundo, melhor.

domingo, 26 de setembro de 2010

Apenas o fim

Ele deitou no colo dela e escutava com atenção toda palavra que saía da sua boca. Sorriu quando ela falou que amava o jeito dele se atrapalhar todo ao tentar falar que a queria sempre perto. Ela perguntou o que o fez se apaixonar por alguém que nada combinava com ele, e o rapaz respondeu que o difícil sempre o atraiu mais. Saíram andando sem rumo nem razão e se abraçaram umas milhões de vezes só porque desejavam entender o que acontece quando a gente quer sonhar mais. Ele mexeu mais uma vez no nariz dela que tanto amava; ela passou as mãos no cabelo dele, porque adorava como os fios pareciam raios do Sol iluminando. Falaram sobre como odiavam algumas manias do outro. Ele disse que ela assistia filmes demais e, portanto, vai passar a eternidade achando que um dia vai encontrar um carinha bonito, legal e inteligente que a ame muito e não vai perceber que ela já o achou: ele, tirando a parte do bonito, afinal ele sempre se achou sem muita graça. Ela disse que ele era infantil demais por causa do seu vício banal em video games e um dia vai pirar de tanto apertar botõeszinhos chatos. Se abraçaram mais e ela disse que tinha de ir embora. Dessa vez, de vez. Ele não entendeu, ou entendeu tão bem que pediu pra ser mentira usando o seu não-brinca-assim da vida toda. Ela falou sobre como amava o all star velho e meio rasgado dele; ele disse que o que mais irá fazer falta dela é a vontade repentina e louca de tomar fanta uva e criar possíveis fins para eles juntos, ou para cada um, ao fim das tardes melancólicas. Ele perguntou quem era, enfim, o homem (Chico ou Jon Bon Jovi) mais bonito do mundo para ela, porque não havia pessoa lúcida no mundo que poderia achar os dois, e ela respondeu que esse era o ponto: não existia lucidez alguma, do contrário ele não teria a aguentado por muito tempo. Ele sorriu confirmando. Ela disse que chegara a hora. Ele falou sobre o quanto a amava e pediu mais uma vez para que ela ficasse e prometeu o mundo. Ela disse que se precisasse de promessa alguma, só desejaria tê-lo. Ele chorou duas ou três lágrimas e disse que essa fora a primeira vez que ela o viu chorar e, então, a última. Ela o abraçou e beijou e amou mais do que nunca, que era pra não esquecer o quanto eram um pro outro. Ele a fez prometer que ela continuaria criando finais mirabolantes e lindos ou trágicos sobre os casais desse mundo. Ela sorriu e disse que o amava. Ele se sentou na escada, onde dava pra vê-la indo não sabe pra onde, e passava pela sua cabeça qualquer música do Los hermanos. A partir daí, só o fim.

(Imagem do maravilhoso filme Apenas o fim do Matheus Souza, no qual foi baseado o título e partes do texto)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Meus devaneios de sempre, de nunca


Sentei na velha calçada de sempre, agarrada ao café quente pra esquecer do frio que fazia, ou da solidão que tinha naquela noite. Li as últimas páginas dum livro recomendado por um amigo anos atrás, sorri por não sei o quê e fiquei observando o tempo passar do lado de fora de mim.
Engraçado como existiam passos rápidos e frios, rostos demonstrando o mesmo: falta, falta de paciência ou de tempo. Só lembro de uma pessoa se virar ao meu encontro e sorrir, quase não sorrindo, mas o fez. Era uma criança com no máximo 3 anos, que a mãe puxava pela mão com tanta força quase capaz de arrancar-lhe o braço. Tomei mais um gole do meu café e tentei entender como é que se chega a isso. Porque se tem um coisa que eu sempre repudiei é falta de paciência. Gosto dos meus dias calmos, acompanhados de cafés ou vinhos e as gargalhadas cheias de vida e sutileza soltas ao ar com os amigos.
Então, se isso de não ter tempo ou qualquer outra coisa que eu ame ter for o destino miserável de todos nós, decido procurar Peter e ir com ele para a Terra do Nunca. Sei que pareço boba ou criança, mas só pra deixar bem claro: eu sou sim, no fundo sou e quero sempre ser. Perder isso de sorrir mesmo sem motivos, gostar de compartilhar o futuro e abraços, sentir entrando em mim o cheiro dos dias - cada um com o seu, me trazendo uma boa lembrança - não me faz bem nem em pensar. Por isso procuro falar calmamente, quase parando, andar assim também e sorrir pra quem quiser um sorriso.
Hoje vou ver o sol iluminando a cidade, e a chuva no fim do dia molhando meus pés, cabelos, olhos e alma por inteira. Pra não perder a beleza da vida e essa vontade de cantar aos quatro ventos que está tudo azul. Tudo, tudo, tudo, imensamente, azul.

(Imagem: do lindíssimo filme O fabuloso destino de Amélie Poulain. Aproveitando para agradecer quem o recomendou)

sábado, 18 de setembro de 2010

O meu amor

Antes possuía um escudo. Um escudo que me protegia a qualquer momento de seus olhares furtivos, sugestivos e inevitavelmente tentadores. Este escudo me impedia de me encantar por ti, de te olhar com outros olhos - aqueles vindos do coração, sabe? E não por você me oferecer medo ou perigo, mas, por assim ocorrer com meu coração. Este tinha medo de entregar-se a ti e judiares com ele, o tratar com um desprezo (daqueles que quando queres poucas pessoas sabem dar). E dói... como dói.
Porque, não sei, mas, resolvi tentar. E no momento que abaixei e retirei da minha frente toda a proteção, fui totalmente envolvida por laços que pareciam vir de outra vida e que ligava a minha (vida) totalmente a sua. Hoje já não tenho segredos contigo, e, mesmo que quisesse, não conseguiria ter. Parece que lês meus sorrisos, penetra nos meus olhos e enxerga minha alma, numa simples percepção. Nenhuma pessoa jamais possuiu esse dom. Além de minha mãe, mas... Mas contigo é completamente diferente. Nada no mundo compensa mais viver do que estar inteira entregue aos olhos e braços e sorrisos de amor - seus. E, querido, nada mais há para dizer à não ser que te amo, e amo tanto que di(go)ria de qualquer forma precisa.

Y.

Te abraço, te preciso, te amo.

“Eu não tenho cabelos vermelhos e o meu vestido não é amarelo. Eu sou só uma menina invisível, deitada na grama invisível que a moça que não sabia desenhar, não desenhou. Aquele é o menino que eu não lhe falei. Ele sempre está preso num único instante; o instante em que o moço que sabia desenhar, o desenhou.

O balão que subia as nuvens, com várias crianças chamando, teve de desviar o caminho, pois não fazia parte desse desenho. O avião que trazia uma faixa, com linda declaração de amor, teve de mudar a rota, pois neste céu azul é que não foi desenhado. O pombo-correio que veio voando de fora da imagem, bateu o bico na borda e caiu. Por isso, o menino está sempre só.

Se as crianças do balão não conseguiram. Se o avião também não conseguiu. Se nem o pombo-correio teve sucesso, como é que eu, uma menina invisível, feita de palavras, poderia chegar até ele? Foi o que passei dias e dias pensando. Então, numa de minhas viagens, ouvi dizer que uma imagem valia mais do que mil palavras. Não tive dúvidas. Abri a oficina invisível, acendi as luzes transparentes e comecei a construir este imenso abraço de palavras. De mil e duas palavras. Para, um dia, entregar a ele.”


Textinho lindíssimo da Rita Apoena

sábado, 11 de setembro de 2010

Blue

Olhar para fora não é tão ruim. É que as vezes a gente se prende tanto ao outro que não sobra tempo nem pra respirar. Só desejava ir ver o mar, andar por aí sem destino, gritar ao mundo todo - mesmo que o mesmo jamais ouça - que ser feliz é ir além. Tomar sorvete na praça, ou um café bem quente acompanhando os planos que nunca irão dar certo, mas que parecem perfeitos. Desejava fazer essas coisas que me trazem paz, ou qualquer outra coisa que a sensação de Tudo azul signifique. Mas nunca posso, porque você acha que tudo é uma grande bobagem, que divertido mesmo é ter que ficar observando você andar para todos os lados menos em minha direção. Lembra do que combinamos no início? Tinha de ser com amor, para o amor. Tinha de ser amor. Ou então não valia o preço. E, meu querido, eu não posso passar a vida assim. Tudo bem que minha mania de querer o mundo acaba me ferrando sempre, mas e daí? Se sou eu quem mais sofro e ainda assim sigo em frente, por que é que diabos você não me acompanha?! Eu sinto tanto, mas eu preciso de alguém que não tenha vergonha de entrar nessa dança comigo, e se eu nunca achar essa pessoa: eu ainda me tenho! Tenho que ir, amor... mesmisse e pessimismo são detalhes numa vida que (felizmente) não combinam comigo. Meu café forte acompanhado de planos fracassados, que são esquecidos por um sorvete bem gelado, estão me esperando. Eu não posso ficar.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Encantador(a)

Acho incrível como ela esquece fácil a dor que os outros fazem sempre questão de vê-la sentir. E confesso ter medo de que essa menina tão doce e serena torne-se rude. Porque jamais conheci alguém que depois de ser pisado e chicoteado não tenha se tornado frio e distante. Me dá um nó no peito, daqueles que qualquer dia mata um, quando a imagino sem esses olhos tão vivos e cheios de luz. Tão grande pecado tentar arrancar dela esses sonhos lindos, tentar torna-la rude aos poucos e simples deste mundo. Ela me faz outra pessoa, aprendi tanto com o amor que ela despeja demasiadamente no outro, nas flores, nos cheiros... meus olhos não podem - e nem devem - se conter quando vêem o sorriso tão fácil, embora sin(cero)gelo, estampar-se aos poucos e sempre no rosto dela, que não é belo de forma espantosa e mesmo assim conquista o mundo, ou pelo menos tenta. Os cabelos da cor do sol irradiando as manhãs são capazes de iluminar uma noite vaga e triste. E o corpo, ah o corpo daquela dama nada tem de extraordinário... nada de magrela ou violão, mas ao tocá-lo qualquer um pode sentir verdade e paz. Por isso desejo tanto que essa moça não mude, que nada nela torne-se triste e vazio, porque tudo físico que não muda, tornaria sem graça com a ausência do encantador, porque ela é parte dos poucos, se não for a parte, que ainda torna esse mundo cheio de guerras, em amor. Os discos arranhados ela guarda para não esquecer no que tem de melhorar, mas faz-se as mais novas e belas canções da Juliette Gréco. Moça igual não há!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

E a tenho.

Certas coisas jamais mudam. Lembro bem de cada detalhe do olhar dela, parecia que toda luz nascia daqueles cabelos ao vento. E talvez seja verdade. É que aqueles olhinhos negros enlaçaram todo o meu ser, toda minha alma. Eu conhecia bem todo traço dourado, entendia de forma única seus vários sorrisos (e que sorrisos!). Vitoriosa ela era, no mais belo significado da palavra. Não conheci outra que tivesse tamanha capacidade de deixar-me feliz. E tudo bem que hoje ela não esteja mais aqui. Não dói, não. Ela me fez prometer que jamais existiria dor. Mas como poderia? Feita de vida e alegria, só isso poderia me fazer sentir. E ela está sempre aqui. A última coisa que falou antes de pegar aquele trem foi: "Baby, me tenha contigo".
E a tenho. Porque esse feito deveria ser sempre meu. Se algo pudesse me definir, se um objeto fosse seria Aquele que guarda, que protege, dentro - do coração.

F.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Único

Eu não sei porque te escrevo essa carta. Digo que não sei porque com certeza o destino dela será o lixo, amassada e abarrotada em meio as tantas outras que tentei enviar, porém, sem sucesso. Essa deve ir para a lista das "não enviadas", mas devo assegurar-te que caso venhas a ler, não responda indagação qualquer.
O café na praça fechou. Isso me fez chorar alguns dias. Não pela vista, pelo pontinho de luz quente no meio da praça fria, pela minha sensação de home sweet home no meio da rua, da cidade, do (meu) mundo; mas pelo café quentinho que me faz(ia) tanto lembrar você.
Fui obrigada a me mudar para cá. Não recebo mais tantos sorrisos furtivos - para falar a verdade, acho que esse foi um doi motivos maiores que me levou a te escrever novamente - mas estou em frente a um violão lindo, como aqueles que faziam você largar a minha mão e estatizar seus olhos na vitrine.
Pensei em jogar fora aquelas fotos. Na verdade eu penso nisso quase todo dia e, logo em seguida, penso como será doloroso querer lembrar da nostalgia daquele tempo e não ter algo fora a vaga memória que tanto me engana. Não quero que penses que estou te cobrando, não. Há tempos desisti de cobrar qualquer coisa de alguém. Cobrança é dferente de amor, de convivência, de confiança... Essas coisas vêm com o tempo. E a cobrança, ah... Ela te corta fundo, te põe como um inapto covarde às situações impostas. E eu? Eu não quero essa situação que te deixa tão impotente. Se há alguém que conseguiu um feito enorme nessa vida de loucos foi você. Minha mãe já houvera me advertido que não é qualquer um que consegue me deixar séria; são todos eles. Mas você, você foi o único que me arrancou um sorriso fácil, me deixou sem reação em tantos momentos e me deixa presa a isso tudo... a você.
Não sei bem o motivo desse tom de partida, mas conheço bem a sensação de algo partido*. Então decidi te escrever e dizer depois de tantas tentativas inábeis que eu não sou aquela que enche o peito de orgulho todos os dias, que põe na lista de coisas para fazer: "mais tarde: chorar." Tento te convencer disso, mas sequer tenho coragem de te mandar uma carta, quanto mais confirmar tudo isso diante dos seus olhos que refletem minha face desesperada.
Me recordo agora de você tocando a melodia de girl, is to late. Você me diz que é tarde demais. Dessa vez não cantando e sorrindo (com esse seu sorriso único) e eu te entendo... Talvez seja mesmo. Para falar a verdade, acho melhor amassar isso e jogar fora, de novo.

*Leia-se: Meu coração.

P.S: (Você) "Dominou a fera que ninguém jamais conseguiu dominar."


Y.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Do outro lado.

Tá tudo muito sozinho por aqui. Comentei com Bih mais cedo que é preciso mudar. Mas minhas palavras, que já foram tão cheias de sei-lá-o-que, andam sem isso aí. Eu já fui complicada, mas juro que nesses últimos meses superei qualquer expectativa. Acredita que até de louca me chamam? Ah, fora os "sem graça" que me cercam por onde eu vou. É que ando sem motivo, e por falar nesse aí, vivo cantando: *Me dê motivo pra ir embora (...). Me lembra muito você e nem sei se deveria. Tá vendo? Complicada demais. Minha vida resumiu-se a: ler, escrever, ler mais, ouvir e "tanto faz"s - termo que você sempre repudiou saindo da minha boca ou passando pela minha mente. Enfim, fiquei por aqui mesmo. Afinal, não era você quem insistia tanto para que eu ficasse? Mas dói, e dói tanto. Do lado de cá do rio é tudo triste e morto demais. Quase sempre penso em desistir. E até coloco um pé a frente, mas aí aquela vozinha sua - que juro ouvir tão clara e rara, como sempre foi - me soa aos ouvidos (me encontro aos risos aqui, porque é engraçado como sempre fico nervosa ao ouvir tua voz, e mais engraçado ainda como consigo escutá-la depois de tanto tempo, depois de tudo) me dizendo: "Você não. Não, isso nunca. Logo agora? Falta pouco, amor, acredite, falta muito pouco para tudo dar certo. E se não for dessa vez eu vou estar aqui. Eu sempre estou não é?". Eis a resposta depois de tanto, amado (Não meu, não mais): não, você não está sempre aqui, você não está mais aqui. E isso é o que mais acaba comigo, é o que mais me revolta (Tenho de me acalmar. Me odeio assim): você não está aqui. Então porque eu não desisto logo? Idiota. (Não me referi a você, não. Idiota fui eu, e sou).
O outro lado - do rio - parece tão mais verdadeiro e doce. Características e palavras que sempre combinaram comigo. E essa maldita, ou bendita, coragem nunca tá aqui quando eu preciso. Fazer o quê?!
Então com o tempo eu fui ficando, e assim continuo. Feio pra mim. Meu pai e a Preta insistem sempre: a gente nunca deve se acostumar com o ruim, com o triste. É que já fui ficando tanto e desistindo de desistir tanto (Ou poderia até usar "desistindo de tentar atravessar o rio". No fim, é a mesma porcaria) que eu não vejo mais o caminho. Gostei sempre de árvores e de proteção, disso você sabe bem, mas me enchi tanto delas ao meu redor que daqui a pouco não tem espaço nem pra mim. Pois é.
Desculpa, sei que tomei demais teu tempo pra no começo culpar-te por todo o meu comodismo e depois assumir que foi erro meu, e só meu. E como eu nunca perdi a mania de me explicar em tudo: é que você sempre foi parte de mim. Ou até mais do que eu fui pra mim mesma. E não porque eu não me amava ou porque você me tomava demasiadamente tempo e olhos. Mas porque eu era muito ausente do meu eu. Alguém tinha de tomar conta da minha alma e do meu coração, você topou assumir esse risco. E no fim só lhe trouxe mágoa.
Bom, só tenho a dizer que eu estava certa: você tinha de ser muito feliz. Sorte dela, sorte tua. Ou merecimento mesmo.
Fique bem, menino. Não meu. Apenas, menino.



* Música lindíssima do Tim Maia:
http://www.youtube.com/watch?v=avEIJOYUMGc




F.

domingo, 1 de agosto de 2010

Passagem

Que venha cheio de luz, de vida, de paz, de sonhos, de esperança, de certezas, de verdades, de amor, de cor. E que seja doce! 7 vezes, e outras mais. Mesmo que, como Caio Fernando diz, para atravessar Agosto seja preciso antes de mais nada paciência e fé. Esperemos mais, sempre mais. Que Agosto venha mudar, inovar, reinventar. Que nossos corações se purifiquem, que nossas mentes possam procurar modos de mudar o mundo, para melhor. E que nosso corpo os ponha em prática. Venha, vá, seja, fale, cale, ouça, crie, lute, vença, aprenda, corrija, ria, chore, pinte, corte, escreva, mostre, leia, viaje, ame.
Bem vindo Agosto!


F.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Dentro

... Como flores no deserto
É desta forma tua existência em mim
Me fazes multicolorida só em lembrar-te.
Que todo esse amor viva
E sincero, e singelo, e quieto ...


(Escrito sem motivos, ou pela busca)


F
.

domingo, 25 de julho de 2010

Minha (nossa) face

''O que quer que você faça na vida será insignificante. Mas é muito importante que você o faça, porquê ninguém mais o fará. Como quando alguém entra em sua vida e metade de você diz que não está nem um pouco preparado, mas a outra metade diz: Faça com que ela seja sua (nesse caso, seu*) para sempre..."

[Trecho do filme Remember me]

Y.

In the arms of the angel



Amar é ir além. Sabe verdadeiramente o que é quem entregou-se. A maioria de nós vive procurando razão para destruir qualquer elo existente. Infinitamente abençoados são aqueles que percebem e os que procuram sentir. As lágrimas do amado dói muito mais do que as de outro ser, vê-lo sofrer dói bem mais do que todas feridas suas sentidas de uma única vez, juntas. No entanto, tal dor é compensada com o sorriso, com o olhar reerguendo-se, vivendo outra vez. O amor é o que faz do ser amado eterno; é o que nos faz perceber que deve existir algo além desse mundo marcado por guerras. O amor nos faz crer verdadeiramente no bom. Quem ama não mata, não distrói, não cansa, não maltrata, não impõe, não mente, não sufoca. Aquele que ama perdoa, doa, acolhe, cura, alegra... porque amor é vida, é luz, é paz. Quem ama, quem é amado se sente exatamente assim: * In the arms of the angel.
Ame!



* Pequena parte retirada de Angel, música da incrível Sarah McLachlan, assim como o título.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sonhos e insanidades

Vez em quando me sinto na beira de um abismo, prestes a cair num desconhecido; eterno, quem sabe. E quando decido cair, me deslumbro com maravilhas lá encontradas. Sou menina cheia de vida, por dentro. Por fora sou sem graça, triste e só. Mas por dentro, ah se me vistes com olhos verdadeiros. Não existe tristeza nesse mundo: mundo meu, mundo que desejo compartilhar com todos. Tenho beleza rara nestes sonhos, sou multicolorida. Nada nem ninguém poderia definir detalhes meus, sou tudo e nada ao mesmo tempo. E esse meu eu é encantador demais para que, se pudessem ver, aqueles que o fizessem pudessem descrever meus poucos. Sou muito, inteira e só assim, para ser bem sincera, gosto de ser observada. Sou como os pedaços da noite de Walcyr Carrasco: de longe estrelas perfeitas, de perto Estrelas Tortas. E que não pensem que só gosto de ser vista por inteira porque repudio meus defeitos. Não os tenho com carinho, não, mas sou ser humano e por assim feita tenho meus discos arranhados. Gosto de ser vista e dita completa porque sou completa, porque meu tudo e nada é o que eu sou, meus poucos são tudo o que me fizeram ser. Só lhes quero falar que olhar para dentro é a única forma de amar, de ser amado. Isso é o que diferencia os pobres de espírito do * homem.

Termino com um lindo poema do ilustre Fernando Pessoa, e agradecendo a quem o apresentou (o poema) para mim.

"Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!"




* homem: tendo significado de Ser humano.

F.

domingo, 18 de julho de 2010

Simples. Ou não, pode ser complexo demais

"Tudo isso dói, mas eu sei que passa, que se está sendo assim é porque deve ser assim, e virá outro ciclo, depois. Para me dar força, escrevi no espelho do meu quarto: "Tá certo que o sonho acabou, mas também não precisa virar pesadelo, não é?" É o que estou tentando vivenciar.
Certo, muitas ilusões dançaram - mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas. Também não quero dramatizar e fazer dos problemas reais monstros insolúveis, becos-sem-saída.
Nada é muito terrível. Só viver, não é?
A barra mesmo é ter que estar vivo e ter que desdobrar, batalhar um jeito qualquer de ficar numa boa. O meu tem sido olhar pra dentro, devagar, ter muito cuidado com cada palavra, com cada movimento, com cada coisa que me ligue ao de fora. Até que os dois ritmos naturalmente se encaixem outra vez e passem a fluir.
Porque não estou fluindo."

Do meu querido Caio (Fernando Abreu), que descreve o simples de forma incrível, descreve como se fosse sobre mim e no fundo é.. é sobre todos nós!

F.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Vazio

Não ter quem abraçar numa tarde fria, não ter a voz confortante e sincera dizendo que vai ficar tudo bem quando as lágrimas escorrem sobre a face, não ter a mão suave que acaricia seus cabelos quando o cansaço é grande, não ter os braços abertos quando voltar de um longo tempo só, não ter os cuidados de alguém que vai curando as feridas depois de uma guerra consigo mesmo - guerra essa, convenhamos, que não há como vencer ou sair ileso -, não ter o olhar sereno e pacificador do outro depois de tanto, eu ou você, errar. É esse vazio imenso que existe no meu peito, é essa tremenda falta que me consome incansável. Não é carência, não. É desejar profundamente ter o verdadeiro amor. Porque ser só, lhes garanto, é a pior forma de estar que possa existir neste e em outro mundo qualquer.
Então só peço, encarecidamente, que preze por quem lhe oferece todo amor, dentro de seus limites. E que ame de volta, de dentro pra fora, ame sem ter medo da mágoa futura, porque o melhor futuro está no presente melhor vivido e melhor amado. Não há a certeza do depois - mesmo que 2 minutos depois -, só do agora e este lhe pertence. Faça dele o mais amado momento, sempre.


F
.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

...

"Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil."

da incrível Clarice Lispector


F.

terça-feira, 13 de julho de 2010

First second

"Can I say something here? When I first met your mother I fell for her right off the bat. And although she loved me back she married me, somehow I always knew I was never quite up to snuff. We muddle along get throught the years... But I've never doubted that if she ever met anyone she really fell, who made her realise what true love it is, she'd leave me like a shot. An how could I argue?"

[Trecho do filme Imagine Eu e Você]

Y.

domingo, 11 de julho de 2010

Se puder, sem medo

"Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo. Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo. Deixa a luz do quarto acesa, a porta entreaberta e o lençol amarrotado, mesmo que vazio. Deixa a toalha na mesa e a comida pronta. Só na minha voz não mexa, eu mesmo silencio. Deixa o coração falar o que eu calei um dia. Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo. Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia. Deixa tudo como está e, se puder, sem medo. Deixa tudo que lembrar, eu finjo que esqueço. Deixa e quando não voltar eu finjo que não importa. Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito pra dizer te vendo ir fechando atrás da porta. Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso. Deixa o meu olhar doente pousado na mesa. Deixa ali teu endereço, qualquer coisa, aviso. Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa. Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo. Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande. Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo... Se o adeus demora a dor no coração se expande. Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa. Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência. Deixa a minha insanidade é tudo que me resta. Deixa eu por à prova toda minha resistência. Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro; deixa eu contar que era farsa minha voz tranquila. Deixa pendurada a calça de brim desbotado que como esse nosso amor ao menor vento oscila. Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa. Deixa um último recado na casa vizinha. Deixa de sofisma e vamos ao que interessa. Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha. Deixa tudo que eu não disse mas você sabia. Deixa o que você calou e eu tanto precisava. Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia. Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava."

Oswaldo Montenegro, Um verdadeiro gênio.

Y.

sábado, 10 de julho de 2010

Afeto demonstrado, embora carta nunca entregue - até hoje.



Toda as vezes que caí, falhei, errei, sofri, sorri, consegui, venci, acertei, lutei, amei, chorei, morri, ressucitei, perdi, ganhei, entre outras milhões de situações... você esteve comigo. Em todo momento pedi muito de você, muito mais até do que deveria ou poderia e mesmo assim nunca me negastes nada! Passei por muitas situações dolorosas nesses últimos meses, me senti um completo fracasso, me fiz infeliz quando poderia ter feito o contrário e você continuou a me amar. Mesmo quando magoei você, quando lhe tratei de forma fria - convenhamos que bastante errada de tratar pessoa tão especial e incrível que és - não me largou no vazio das minhas incertezas e estúpidez. Você é a melhor amiga, o anjo da guarda, a irmã, a mãe, a filha, a prima, a parceira! Não desistiu de mim mesmo quando eu o fiz e nada nesse mundo vai destruir elo tão forte que construí contigo, ao longo dos dias, das horas, dos momentos - grandes ou pequenos - que ao teu lado passei. "Always" - Palavra nossa, toda nossa (mesmo pertendendo a outras milhões de pessoas), sempre que a escuto, a leio é em você que penso, é sua imagem sempre me sorrindo que ilumina meus olhos e me ajuda a seguir. Tu és benção de Deus em minha vida, e O agradeço todo o tempo por ti ter. Só te agradeço, te apoio, te amo! Tou contigo sempre, em todo e qualquer momento - mesmo que besta, segundo os olhos de qualquer um. Você é o meu eu que mais parece com aquilo que sou, ou com aquilo que tanto almejo ser.

Com todo amor para a minha irmã (Yanka)!



- Fevereiro de 2010.

F.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Saudade

Tornou-se necessário sua presença em minha vida. Mesmo que não conversasse com você todos os dias, bastava saber que estavas lá... sempre. E hoje tua ausência me causa angústia e sofrimento. Não ter mais teu colo, teus olhares, teus raros sorrisos, tuas bençãos concedidas em nome do Pai me bastava, me acalmava, me consolava, me guiava, me amava. Essa saudade que tanto tenta dominar meu peito cheio de feridas é grande demais e vez em quando até penso em me deixar domar, mas lembro que existe amor e por tanto amor existente me basta viver e amar-te. A morte dói muito em quem vive, mas não pode levar junto todo afeto que transborda deste coração tão jovem e tão sofrido. Te amo sempre, e sempre e me vem a certeza enorme de tal fato. Amor não cessa, não se esvai, não acaba, não morre.


E minhas pobres e poucas palavras são destinadas a ti, que pode então nunca ler, mas tem conhecimento, meu amado avô.


F.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Sem príncipes, sem castelos... só o Amor.

A tempestade passada já havia levado tudo que pudesse protegê-la de uma má força. Destruído seu castelo - ou coração, se assim quiserem chamar - não tinha idéia de como seguir em frente. Chegou a pensar muito e acabou por concluir que a vida não cansa, vai tirando aos poucos pedaços da gente. Só faltava agora levar seus braços, pernas, dedos... porque o que existia de espiritual, que é no fundo aquilo que realmente nos guarda, a vida já se encarregara de levar.
Passou muito tempo e todos os que gritavam aos quatro ventos que este tanto tempo poderia apagar tantas e doloridas feridas com toda certeza se enganaram, pois ainda sentia dor, tudo era amargo demais, fosse apenas a vontade contínua de vomitar. Era bem mais que isso, desejava ser vomitada de tanta amargura.
Um dia desses, num domingo de esperas qualquer quase não a reconheci. Aquela moça de olhos tão tristonhos e vazios estava sorrindo outra vez. Por conta da curiosidade, que nunca me faltou, perguntei-lhe que milagre acontecera para que todo aquele vazio fosse preenchido por luz novamente. Ela respondeu que um rapaz, sobre qual jamais tinha escutado falar, lhe disse: "Moça dos olhos tão mortos, do coração tão despedaçado, da boca tão calada, aprende que por mais que temporais levem o que amamos - e tanto, tanto - estes mesmos jamais saem de nós. Verdade que o tempo não cura tudo, o tempo cura nada. Mas este amor tão imenso que sentes por aquilo que de ti foi tirado ainda é teu, é dele. E é isso que tem de te fazer levantar, se encher de vida e seguir: A certeza do amor tão presente. O amor é eterno, porque nós o fazemos assim, porque é assim que deve ser. Moça, queria tanto que teus olhos transbordassem esperança! (...)". Disse também que encontrou naquele rapaz tudo que dela foi arrancado e que tem a certeza do amor jamais finito em si. Meus olhos encheram de lágrimas, era tão encantador ver aqueles olhos verdes vivos novamente. E aprendi que por mesmo que sejam longos os temporais, mesmo que estes pareçam eternos - se há amor verdadeiro - sempre há de existir também o mais belo amanhecer renovando a vida, assim como nasce todos os dias o mesmo Sol que nos aquece, todo os dias nasce a certeza que nos desperta para o verdadeiro amor.

Espero que isto ajude a quem precisa. Deus nos deu a certeza de que "O amor jamais acaba." em 1 Co 13:8. Sigam em Fé, em Esperança, em Verdade, em Amor.

F.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Falta

"Ontem gritei teu nome. Gritei como se você fosse ouvir. Sabe aqueles gritos que saem da alma num momento extremo de prazer humano na mente? Aquele prazer de quando as vozes se encaixam numa bela harmonia, da mesma forma que os corpos se encaixam na liberdade da escuridão. Gritei teu nome. Gritei de verdade. Foi daqueles gritos que ninguém consegue ouvir, só eu e talvez você. Muito talvez mesmo. Não foi João nem Maria. Foi aquele nome nosso. Daqueles que nós sabemos a importância que é ter o que é nosso. Não estou lamentando, estou apenas dizendo que lembro, que lembrei. Lembrar é um estremo momento de lucidez na memória. Não, não bebi. Não hoje, nem ontem. Faz isso. Continua botando tua mão no meu peito esquentando meu coração. Ta guardado. Quente. Bem cuidado. Dos nós, fazemos os laços. Esses, nossos, laços. Ontem foi um daqueles dias que, a vontade de te ver chega ao extremo, ultrapassa qualquer linha de mar. Daqueles que não existe onda. É, o tempo brincando com o dançar da areia (...) Essa distância que nos prende ainda mais. Gritei ontem e hoje, te espero. Isso é o que me basta de verdade. Você!"

Saudades, Volta.


Y.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O amor nos dilacerando sempre!

“Não sei, até hoje não sei se o príncipe era um deles. Eu não podia saber, ele não falava. E, depois, ele não veio mais. Eu dava um cavalo branco para ele, uma espada, dava um castelo e bruxas para ele matar, dava todas essas coisas e mais as que ele pedisse, fazia com a areia, com o sal, com as folhas dos coqueiros, com as cascas dos cocos, até com a minha carne eu construía um cavalo branco para aquele príncipe. Mas ele não queria, acho que ele não queria, e eu não tive tempo de dizer que quando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo.”

do grande Caio de sempre!

(Ps: Eu faria mesmo. Construíria qualquer coisa que quisesses da forma que fosse, construíria um castelo com minha própria carne se assim me pedistes, para te abrigar e te protejer todos os dias da eternidade, meu avo!)

F.

Você deve saber o que faz

Eu sempre digo que a mim só convém escrever bem quando meu coração assim não está. Esse é meu caso hoje: estou de coração partido e doente. Portanto, antes que eu e, junto comigo, tudo que sinto, exploda; resolvi despejar minha dor aqui, como é de costume.

Tudo bem que, talvez, eu tenha sido a culpada. Tudo bem que eu, talvez, tenha me exaltado e colocado o drama entre nós. Tudo bem que foi uma discussão (se é que assim podemos chamar) por besteira, mas, ainda assim, me dói. Tudo bem..? Não, não está tudo bem. Não comigo, pelo menos. Foi exaltação minha, eu sei. Talvez até coisa da minha cabeça, mas entende... Tenta lembrar de como você me tratou, do quão grosso você foi e como deve ter me deixado abismada. É de se entender que todos nós temos nossos dias de “contra”, mas eu nunca espero isso, não de você.

Olhando por esse lado, esse deve ser meu maior defeito: achar que você não erra, não machuca, não fere... Apesar de ter tido tantas provas claras disso! É normal. Por mais que eu seja tão orgulhosa quanto sou, não guardo rancores... Contigo não é diferente... Ah, logo contigo! Que eu amo tanto e devaneio de forma inexplicável. Mas é que na maioria dos casos, por assim eu ser, você é sempre tão carinhoso comigo, tão preocupado, tão do-meu-lado, que quando você vem com esse “oposto frio”, eu não te reconheço... Tola.

Vim aqui, não para lhe julgar (como talvez pareça), mas, acima de tudo para te pedir desculpas. Pedir perdão por tudo que eu disse e até pelo que pensei. Não queria dizer nada disso, não queria te ferir, apenas me preocupei com você... Penso mil coisas quando me deixas assim: Sem notícias. É errado se preocupar com quem a gente gosta, poxa? Mas, tudo bem...

Se você quiser, prometo parar. Mudar. Ser outra. Outra que não se preocupa, não te enche e, acima de tudo, não se dói. Assim, eu me livro dessa angustia e te livro, até, do peso na consciência (se é que esse existe). Tudo bem que assim não serei eu mesma, mas, por você, talvez, valha a pena.

Você não é nenhuma criança, deve saber o que faz. Mas, com certeza, não sabes o que me fazes sentir, agindo dessa maneira.

P.S: Não acredito ainda que escrevi tudo isso. Não acredito ainda que você conseguiu reduzir meu orgulho (tão presente em mim) a nada, a mero pó. Não acredito, enfim, que irás continuar a ser indiferente comigo; pois acredito veementemente em você e no amor que dizes sentir por mim.

Y.