terça-feira, 10 de agosto de 2010

Único

Eu não sei porque te escrevo essa carta. Digo que não sei porque com certeza o destino dela será o lixo, amassada e abarrotada em meio as tantas outras que tentei enviar, porém, sem sucesso. Essa deve ir para a lista das "não enviadas", mas devo assegurar-te que caso venhas a ler, não responda indagação qualquer.
O café na praça fechou. Isso me fez chorar alguns dias. Não pela vista, pelo pontinho de luz quente no meio da praça fria, pela minha sensação de home sweet home no meio da rua, da cidade, do (meu) mundo; mas pelo café quentinho que me faz(ia) tanto lembrar você.
Fui obrigada a me mudar para cá. Não recebo mais tantos sorrisos furtivos - para falar a verdade, acho que esse foi um doi motivos maiores que me levou a te escrever novamente - mas estou em frente a um violão lindo, como aqueles que faziam você largar a minha mão e estatizar seus olhos na vitrine.
Pensei em jogar fora aquelas fotos. Na verdade eu penso nisso quase todo dia e, logo em seguida, penso como será doloroso querer lembrar da nostalgia daquele tempo e não ter algo fora a vaga memória que tanto me engana. Não quero que penses que estou te cobrando, não. Há tempos desisti de cobrar qualquer coisa de alguém. Cobrança é dferente de amor, de convivência, de confiança... Essas coisas vêm com o tempo. E a cobrança, ah... Ela te corta fundo, te põe como um inapto covarde às situações impostas. E eu? Eu não quero essa situação que te deixa tão impotente. Se há alguém que conseguiu um feito enorme nessa vida de loucos foi você. Minha mãe já houvera me advertido que não é qualquer um que consegue me deixar séria; são todos eles. Mas você, você foi o único que me arrancou um sorriso fácil, me deixou sem reação em tantos momentos e me deixa presa a isso tudo... a você.
Não sei bem o motivo desse tom de partida, mas conheço bem a sensação de algo partido*. Então decidi te escrever e dizer depois de tantas tentativas inábeis que eu não sou aquela que enche o peito de orgulho todos os dias, que põe na lista de coisas para fazer: "mais tarde: chorar." Tento te convencer disso, mas sequer tenho coragem de te mandar uma carta, quanto mais confirmar tudo isso diante dos seus olhos que refletem minha face desesperada.
Me recordo agora de você tocando a melodia de girl, is to late. Você me diz que é tarde demais. Dessa vez não cantando e sorrindo (com esse seu sorriso único) e eu te entendo... Talvez seja mesmo. Para falar a verdade, acho melhor amassar isso e jogar fora, de novo.

*Leia-se: Meu coração.

P.S: (Você) "Dominou a fera que ninguém jamais conseguiu dominar."


Y.

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