terça-feira, 21 de setembro de 2010

Meus devaneios de sempre, de nunca


Sentei na velha calçada de sempre, agarrada ao café quente pra esquecer do frio que fazia, ou da solidão que tinha naquela noite. Li as últimas páginas dum livro recomendado por um amigo anos atrás, sorri por não sei o quê e fiquei observando o tempo passar do lado de fora de mim.
Engraçado como existiam passos rápidos e frios, rostos demonstrando o mesmo: falta, falta de paciência ou de tempo. Só lembro de uma pessoa se virar ao meu encontro e sorrir, quase não sorrindo, mas o fez. Era uma criança com no máximo 3 anos, que a mãe puxava pela mão com tanta força quase capaz de arrancar-lhe o braço. Tomei mais um gole do meu café e tentei entender como é que se chega a isso. Porque se tem um coisa que eu sempre repudiei é falta de paciência. Gosto dos meus dias calmos, acompanhados de cafés ou vinhos e as gargalhadas cheias de vida e sutileza soltas ao ar com os amigos.
Então, se isso de não ter tempo ou qualquer outra coisa que eu ame ter for o destino miserável de todos nós, decido procurar Peter e ir com ele para a Terra do Nunca. Sei que pareço boba ou criança, mas só pra deixar bem claro: eu sou sim, no fundo sou e quero sempre ser. Perder isso de sorrir mesmo sem motivos, gostar de compartilhar o futuro e abraços, sentir entrando em mim o cheiro dos dias - cada um com o seu, me trazendo uma boa lembrança - não me faz bem nem em pensar. Por isso procuro falar calmamente, quase parando, andar assim também e sorrir pra quem quiser um sorriso.
Hoje vou ver o sol iluminando a cidade, e a chuva no fim do dia molhando meus pés, cabelos, olhos e alma por inteira. Pra não perder a beleza da vida e essa vontade de cantar aos quatro ventos que está tudo azul. Tudo, tudo, tudo, imensamente, azul.

(Imagem: do lindíssimo filme O fabuloso destino de Amélie Poulain. Aproveitando para agradecer quem o recomendou)

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