Tá tudo muito sozinho por aqui. Comentei com Bih mais cedo que é preciso mudar. Mas minhas palavras, que já foram tão cheias de sei-lá-o-que, andam sem isso aí. Eu já fui complicada, mas juro que nesses últimos meses superei qualquer expectativa. Acredita que até de louca me chamam? Ah, fora os "sem graça" que me cercam por onde eu vou. É que ando sem motivo, e por falar nesse aí, vivo cantando: *Me dê motivo pra ir embora (...). Me lembra muito você e nem sei se deveria. Tá vendo? Complicada demais. Minha vida resumiu-se a: ler, escrever, ler mais, ouvir e "tanto faz"s - termo que você sempre repudiou saindo da minha boca ou passando pela minha mente. Enfim, fiquei por aqui mesmo. Afinal, não era você quem insistia tanto para que eu ficasse? Mas dói, e dói tanto. Do lado de cá do rio é tudo triste e morto demais. Quase sempre penso em desistir. E até coloco um pé a frente, mas aí aquela vozinha sua - que juro ouvir tão clara e rara, como sempre foi - me soa aos ouvidos (me encontro aos risos aqui, porque é engraçado como sempre fico nervosa ao ouvir tua voz, e mais engraçado ainda como consigo escutá-la depois de tanto tempo, depois de tudo) me dizendo: "Você não. Não, isso nunca. Logo agora? Falta pouco, amor, acredite, falta muito pouco para tudo dar certo. E se não for dessa vez eu vou estar aqui. Eu sempre estou não é?". Eis a resposta depois de tanto, amado (Não meu, não mais): não, você não está sempre aqui, você não está mais aqui. E isso é o que mais acaba comigo, é o que mais me revolta (Tenho de me acalmar. Me odeio assim): você não está aqui. Então porque eu não desisto logo? Idiota. (Não me referi a você, não. Idiota fui eu, e sou).
O outro lado - do rio - parece tão mais verdadeiro e doce. Características e palavras que sempre combinaram comigo. E essa maldita, ou bendita, coragem nunca tá aqui quando eu preciso. Fazer o quê?!
Então com o tempo eu fui ficando, e assim continuo. Feio pra mim. Meu pai e a Preta insistem sempre: a gente nunca deve se acostumar com o ruim, com o triste. É que já fui ficando tanto e desistindo de desistir tanto (Ou poderia até usar "desistindo de tentar atravessar o rio". No fim, é a mesma porcaria) que eu não vejo mais o caminho. Gostei sempre de árvores e de proteção, disso você sabe bem, mas me enchi tanto delas ao meu redor que daqui a pouco não tem espaço nem pra mim. Pois é.
Desculpa, sei que tomei demais teu tempo pra no começo culpar-te por todo o meu comodismo e depois assumir que foi erro meu, e só meu. E como eu nunca perdi a mania de me explicar em tudo: é que você sempre foi parte de mim. Ou até mais do que eu fui pra mim mesma. E não porque eu não me amava ou porque você me tomava demasiadamente tempo e olhos. Mas porque eu era muito ausente do meu eu. Alguém tinha de tomar conta da minha alma e do meu coração, você topou assumir esse risco. E no fim só lhe trouxe mágoa.
Bom, só tenho a dizer que eu estava certa: você tinha de ser muito feliz. Sorte dela, sorte tua. Ou merecimento mesmo.
Fique bem, menino. Não meu. Apenas, menino.
* Música lindíssima do Tim Maia:
http://www.youtube.com/watch?v=avEIJOYUMGc
F.
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