domingo, 26 de setembro de 2010

Apenas o fim

Ele deitou no colo dela e escutava com atenção toda palavra que saía da sua boca. Sorriu quando ela falou que amava o jeito dele se atrapalhar todo ao tentar falar que a queria sempre perto. Ela perguntou o que o fez se apaixonar por alguém que nada combinava com ele, e o rapaz respondeu que o difícil sempre o atraiu mais. Saíram andando sem rumo nem razão e se abraçaram umas milhões de vezes só porque desejavam entender o que acontece quando a gente quer sonhar mais. Ele mexeu mais uma vez no nariz dela que tanto amava; ela passou as mãos no cabelo dele, porque adorava como os fios pareciam raios do Sol iluminando. Falaram sobre como odiavam algumas manias do outro. Ele disse que ela assistia filmes demais e, portanto, vai passar a eternidade achando que um dia vai encontrar um carinha bonito, legal e inteligente que a ame muito e não vai perceber que ela já o achou: ele, tirando a parte do bonito, afinal ele sempre se achou sem muita graça. Ela disse que ele era infantil demais por causa do seu vício banal em video games e um dia vai pirar de tanto apertar botõeszinhos chatos. Se abraçaram mais e ela disse que tinha de ir embora. Dessa vez, de vez. Ele não entendeu, ou entendeu tão bem que pediu pra ser mentira usando o seu não-brinca-assim da vida toda. Ela falou sobre como amava o all star velho e meio rasgado dele; ele disse que o que mais irá fazer falta dela é a vontade repentina e louca de tomar fanta uva e criar possíveis fins para eles juntos, ou para cada um, ao fim das tardes melancólicas. Ele perguntou quem era, enfim, o homem (Chico ou Jon Bon Jovi) mais bonito do mundo para ela, porque não havia pessoa lúcida no mundo que poderia achar os dois, e ela respondeu que esse era o ponto: não existia lucidez alguma, do contrário ele não teria a aguentado por muito tempo. Ele sorriu confirmando. Ela disse que chegara a hora. Ele falou sobre o quanto a amava e pediu mais uma vez para que ela ficasse e prometeu o mundo. Ela disse que se precisasse de promessa alguma, só desejaria tê-lo. Ele chorou duas ou três lágrimas e disse que essa fora a primeira vez que ela o viu chorar e, então, a última. Ela o abraçou e beijou e amou mais do que nunca, que era pra não esquecer o quanto eram um pro outro. Ele a fez prometer que ela continuaria criando finais mirabolantes e lindos ou trágicos sobre os casais desse mundo. Ela sorriu e disse que o amava. Ele se sentou na escada, onde dava pra vê-la indo não sabe pra onde, e passava pela sua cabeça qualquer música do Los hermanos. A partir daí, só o fim.

(Imagem do maravilhoso filme Apenas o fim do Matheus Souza, no qual foi baseado o título e partes do texto)

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