sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Encantador(a)

Acho incrível como ela esquece fácil a dor que os outros fazem sempre questão de vê-la sentir. E confesso ter medo de que essa menina tão doce e serena torne-se rude. Porque jamais conheci alguém que depois de ser pisado e chicoteado não tenha se tornado frio e distante. Me dá um nó no peito, daqueles que qualquer dia mata um, quando a imagino sem esses olhos tão vivos e cheios de luz. Tão grande pecado tentar arrancar dela esses sonhos lindos, tentar torna-la rude aos poucos e simples deste mundo. Ela me faz outra pessoa, aprendi tanto com o amor que ela despeja demasiadamente no outro, nas flores, nos cheiros... meus olhos não podem - e nem devem - se conter quando vêem o sorriso tão fácil, embora sin(cero)gelo, estampar-se aos poucos e sempre no rosto dela, que não é belo de forma espantosa e mesmo assim conquista o mundo, ou pelo menos tenta. Os cabelos da cor do sol irradiando as manhãs são capazes de iluminar uma noite vaga e triste. E o corpo, ah o corpo daquela dama nada tem de extraordinário... nada de magrela ou violão, mas ao tocá-lo qualquer um pode sentir verdade e paz. Por isso desejo tanto que essa moça não mude, que nada nela torne-se triste e vazio, porque tudo físico que não muda, tornaria sem graça com a ausência do encantador, porque ela é parte dos poucos, se não for a parte, que ainda torna esse mundo cheio de guerras, em amor. Os discos arranhados ela guarda para não esquecer no que tem de melhorar, mas faz-se as mais novas e belas canções da Juliette Gréco. Moça igual não há!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

E a tenho.

Certas coisas jamais mudam. Lembro bem de cada detalhe do olhar dela, parecia que toda luz nascia daqueles cabelos ao vento. E talvez seja verdade. É que aqueles olhinhos negros enlaçaram todo o meu ser, toda minha alma. Eu conhecia bem todo traço dourado, entendia de forma única seus vários sorrisos (e que sorrisos!). Vitoriosa ela era, no mais belo significado da palavra. Não conheci outra que tivesse tamanha capacidade de deixar-me feliz. E tudo bem que hoje ela não esteja mais aqui. Não dói, não. Ela me fez prometer que jamais existiria dor. Mas como poderia? Feita de vida e alegria, só isso poderia me fazer sentir. E ela está sempre aqui. A última coisa que falou antes de pegar aquele trem foi: "Baby, me tenha contigo".
E a tenho. Porque esse feito deveria ser sempre meu. Se algo pudesse me definir, se um objeto fosse seria Aquele que guarda, que protege, dentro - do coração.

F.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Único

Eu não sei porque te escrevo essa carta. Digo que não sei porque com certeza o destino dela será o lixo, amassada e abarrotada em meio as tantas outras que tentei enviar, porém, sem sucesso. Essa deve ir para a lista das "não enviadas", mas devo assegurar-te que caso venhas a ler, não responda indagação qualquer.
O café na praça fechou. Isso me fez chorar alguns dias. Não pela vista, pelo pontinho de luz quente no meio da praça fria, pela minha sensação de home sweet home no meio da rua, da cidade, do (meu) mundo; mas pelo café quentinho que me faz(ia) tanto lembrar você.
Fui obrigada a me mudar para cá. Não recebo mais tantos sorrisos furtivos - para falar a verdade, acho que esse foi um doi motivos maiores que me levou a te escrever novamente - mas estou em frente a um violão lindo, como aqueles que faziam você largar a minha mão e estatizar seus olhos na vitrine.
Pensei em jogar fora aquelas fotos. Na verdade eu penso nisso quase todo dia e, logo em seguida, penso como será doloroso querer lembrar da nostalgia daquele tempo e não ter algo fora a vaga memória que tanto me engana. Não quero que penses que estou te cobrando, não. Há tempos desisti de cobrar qualquer coisa de alguém. Cobrança é dferente de amor, de convivência, de confiança... Essas coisas vêm com o tempo. E a cobrança, ah... Ela te corta fundo, te põe como um inapto covarde às situações impostas. E eu? Eu não quero essa situação que te deixa tão impotente. Se há alguém que conseguiu um feito enorme nessa vida de loucos foi você. Minha mãe já houvera me advertido que não é qualquer um que consegue me deixar séria; são todos eles. Mas você, você foi o único que me arrancou um sorriso fácil, me deixou sem reação em tantos momentos e me deixa presa a isso tudo... a você.
Não sei bem o motivo desse tom de partida, mas conheço bem a sensação de algo partido*. Então decidi te escrever e dizer depois de tantas tentativas inábeis que eu não sou aquela que enche o peito de orgulho todos os dias, que põe na lista de coisas para fazer: "mais tarde: chorar." Tento te convencer disso, mas sequer tenho coragem de te mandar uma carta, quanto mais confirmar tudo isso diante dos seus olhos que refletem minha face desesperada.
Me recordo agora de você tocando a melodia de girl, is to late. Você me diz que é tarde demais. Dessa vez não cantando e sorrindo (com esse seu sorriso único) e eu te entendo... Talvez seja mesmo. Para falar a verdade, acho melhor amassar isso e jogar fora, de novo.

*Leia-se: Meu coração.

P.S: (Você) "Dominou a fera que ninguém jamais conseguiu dominar."


Y.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Do outro lado.

Tá tudo muito sozinho por aqui. Comentei com Bih mais cedo que é preciso mudar. Mas minhas palavras, que já foram tão cheias de sei-lá-o-que, andam sem isso aí. Eu já fui complicada, mas juro que nesses últimos meses superei qualquer expectativa. Acredita que até de louca me chamam? Ah, fora os "sem graça" que me cercam por onde eu vou. É que ando sem motivo, e por falar nesse aí, vivo cantando: *Me dê motivo pra ir embora (...). Me lembra muito você e nem sei se deveria. Tá vendo? Complicada demais. Minha vida resumiu-se a: ler, escrever, ler mais, ouvir e "tanto faz"s - termo que você sempre repudiou saindo da minha boca ou passando pela minha mente. Enfim, fiquei por aqui mesmo. Afinal, não era você quem insistia tanto para que eu ficasse? Mas dói, e dói tanto. Do lado de cá do rio é tudo triste e morto demais. Quase sempre penso em desistir. E até coloco um pé a frente, mas aí aquela vozinha sua - que juro ouvir tão clara e rara, como sempre foi - me soa aos ouvidos (me encontro aos risos aqui, porque é engraçado como sempre fico nervosa ao ouvir tua voz, e mais engraçado ainda como consigo escutá-la depois de tanto tempo, depois de tudo) me dizendo: "Você não. Não, isso nunca. Logo agora? Falta pouco, amor, acredite, falta muito pouco para tudo dar certo. E se não for dessa vez eu vou estar aqui. Eu sempre estou não é?". Eis a resposta depois de tanto, amado (Não meu, não mais): não, você não está sempre aqui, você não está mais aqui. E isso é o que mais acaba comigo, é o que mais me revolta (Tenho de me acalmar. Me odeio assim): você não está aqui. Então porque eu não desisto logo? Idiota. (Não me referi a você, não. Idiota fui eu, e sou).
O outro lado - do rio - parece tão mais verdadeiro e doce. Características e palavras que sempre combinaram comigo. E essa maldita, ou bendita, coragem nunca tá aqui quando eu preciso. Fazer o quê?!
Então com o tempo eu fui ficando, e assim continuo. Feio pra mim. Meu pai e a Preta insistem sempre: a gente nunca deve se acostumar com o ruim, com o triste. É que já fui ficando tanto e desistindo de desistir tanto (Ou poderia até usar "desistindo de tentar atravessar o rio". No fim, é a mesma porcaria) que eu não vejo mais o caminho. Gostei sempre de árvores e de proteção, disso você sabe bem, mas me enchi tanto delas ao meu redor que daqui a pouco não tem espaço nem pra mim. Pois é.
Desculpa, sei que tomei demais teu tempo pra no começo culpar-te por todo o meu comodismo e depois assumir que foi erro meu, e só meu. E como eu nunca perdi a mania de me explicar em tudo: é que você sempre foi parte de mim. Ou até mais do que eu fui pra mim mesma. E não porque eu não me amava ou porque você me tomava demasiadamente tempo e olhos. Mas porque eu era muito ausente do meu eu. Alguém tinha de tomar conta da minha alma e do meu coração, você topou assumir esse risco. E no fim só lhe trouxe mágoa.
Bom, só tenho a dizer que eu estava certa: você tinha de ser muito feliz. Sorte dela, sorte tua. Ou merecimento mesmo.
Fique bem, menino. Não meu. Apenas, menino.



* Música lindíssima do Tim Maia:
http://www.youtube.com/watch?v=avEIJOYUMGc




F.

domingo, 1 de agosto de 2010

Passagem

Que venha cheio de luz, de vida, de paz, de sonhos, de esperança, de certezas, de verdades, de amor, de cor. E que seja doce! 7 vezes, e outras mais. Mesmo que, como Caio Fernando diz, para atravessar Agosto seja preciso antes de mais nada paciência e fé. Esperemos mais, sempre mais. Que Agosto venha mudar, inovar, reinventar. Que nossos corações se purifiquem, que nossas mentes possam procurar modos de mudar o mundo, para melhor. E que nosso corpo os ponha em prática. Venha, vá, seja, fale, cale, ouça, crie, lute, vença, aprenda, corrija, ria, chore, pinte, corte, escreva, mostre, leia, viaje, ame.
Bem vindo Agosto!


F.